26 de Março de 2009

Viva Las Vegas

Eu e o Bryson fomos para Las Vegas no final de semana passado. Nao, nao fomos casar com o Elvis em um capelinha por la nao, embora a minha sogra - preocupadissima - tenha feito a pergunta. Fomos passear por uns dias, relaxar no mais famoso parque de diversoes para adultos do mundo, nos divertir.

Esta foi a segunda vez que visitei a cidade mais fake da historia - ja explico, Las Vegas tem lugares fake (Paris, New York, Veneza - abaixo, Sahara, Egito, etc), pessoas fake (Elvis nas capelas de casamento, como disse; museu de cera; shows com imitacoes de celebridades; prostitutas) e dinheiro fake (maquinas caca-niquel, mesas de blackjack, poquer, etc - faz de conta que o seu dinheiro sao fichinhas, creditos, que nao vale nada), mas acho que aproveitamos justamente porque fizemos coisas nao fake por la.
Na sexta fomos a um aquario bem lindinho no Mandalay Bay com varias especies de tubaroes e tartarugas-marinhas gigantescas. Ah, eles tambem tinham piranhas da Amazonia! Achei engracado que eles pronunciam pirrrrrrraNa. A melhor coisa do dia, contudo, foi o Big Shot na Stratosphere. O Big Shot e um brinquedo que te lanca a uma altura ridicula de 280 metros e as pessoas quase morrem. Hehehe (olha ali a minha cara). Por ultimo paramos para uns drinks descontraidos no C Bar. No sabado, visitamos mais uns hoteis e fomos ao famoso brunch do Bellagio, uma coisa absurda de tanta comida e onde eu, literalmente, tomei cafe da manha e depois comi almoco e sobremesa - divino, tambem quase morri! De tardezinha, relaxamos um pouquinho na hot tub do hotel e fomos ao belissimo espetaculo Ka do Cirque du Soleil a noite.

Domingo, almocamos em um lugar bem americano e baratinho, o Ihop, que o motorista de taxi orgulhosamente perguntava se tambem existia um daqueles em Washington.

A tarde visitamos a Body Exhibition, uma exibicao de corpos humanos dissecados em uma perspectiva completamente diferente (poderia haver algo mais real, mais cru, do que olhar um corpo humano?).
Adorei Las Vegas pelas experiencias e o entretenimento que tivemos por la, mas fiquei realmente perturbada vendo pessoas gastando dinheiro descontroladamente nas maquinas e nas apostas que prometem o luxo dos hoteis de la (serio, mais perturbada do que olhando o corpo da specimen ai de cima). Tambem acho que e muito mais tenebroso do que isso ver mulheres se expondo de um jeito grotesco everywhere, e pais levando criancas e pequenos bebes para esses ambientes!

Las Vegas pode ser divertido para quem tem consciencia da imitacao, da falsidade das coisas, mas perigoso e triste para quem nao tem. Sim, eu e o Bryson tambem apostamos: gastamos um dolar em maquinas de caca-niquel e ganhamos free drinks. Impressionante, voce faz uma cara de concentracao e eles te trazem alcool. Faz parte do jogo.

23 de Fevereiro de 2009

Ai, ai, ai

Como diria a minha vo, isso me racha a cara!
Olha o que o Google selecionou para o meu Google Ads depois que escrevi um humilde, sincero e NAO intencional post chamado "Ainda estou aqui":

Solteros Mexicanos
Encuentralos aquí 100% gratis y conoce al amor de tu vida aquí

Ahhhhhh. No, muchas gracias. Yo estoy enamorada de un gringo!
Damn Google!

22 de Fevereiro de 2009

Ainda estou aqui

Se ainda tenho um leitorzinho se quer, online, vivo, entediado com a vida, comendo Doritos na frente do computador que nem eu, so quero dizer que ainda estou aqui.
Estes ultimos meses tem sido pesadissimos com o mestrado na UW, entao nao consigo achar tempo nem inspiracao para falar "um pouco de mim". A-ha! Essa associacao complicadissima com a frase e o nome do blog foi muito boa. Aham.
Estou aprendendo CSS e HTML, entao pretendo fazer um site beeeem bonito no meu break. Se tudo der certinho, incluindo settings com um servidor baratinho, vou colocar no ar e publicar o link aqui.
Por enquanto, se ainda existir alguem lendo isso - aloooo, de um bilhao de pessoas conectadas no mundo, seria otimo se alguem pudesse ouvir minhas lamurias -so vou agradecer o carinho por lembrar do blog e "de mim". A-ha! Tentei de novo, minha gente (gente mesmo ou vazio cibernetico?). Enfim, criatividade enferruja.

24 de Outubro de 2008

Vergonha, vergonha americana

E engracado, de tao, mas tao tragico.

Contexto:

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Piada:

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6 de Setembro de 2008

"Trabaiando" a "mantns" das linguas

Eh engracado que de tanto falar, ler e escrever em Ingles, as vezes, Portugues soa tao estranho... Ontem eu tinha invocado com a palavra "pseudo". Deus, como eh que nos pronunciamos um pe seguido de um esse?! E como que em Ingles, eles cortam o som do pe e da letra e e a palavra vira "sudo"? Por que ninguem fala direito? Cade um esperanto nessas horas?
O Bryson recentemente embestou com o meu espirro. Segundo ele, ate o meu espirro eh em Portugues. Ele disse que eu nao faco "atchim" ou "atchum", mas que eu espirro "gatchiiinha". Ja disse que eh "atchim", que nao tem nenhum "nh" e extra syllable, mas ele insiste em dizer que ouve "gatchiiiinha".
A outra peripecia da nossa lingua eh o "lh". O Bryson passa um "trabaio" com isso. Eu ja tentei explicar para ele que o som do "lh" tem de ser feito com um meio sorriso e saliva nas extremidades laterais da lingua, porque de outra forma nao sai direito. Ele disse que isso eh "gross". E eu disse que ele soa como um caipira, la do fim do mundo no Brasil, que diz que quer "trabaiar". Temos focado bastante no "lh" agora.
Se por um lado o Bryson tem dificuldade com todas as le-tri-nhas que a gente pronuncia em Portugues, eu passo um sufoco com o que eles nao pronunciam em Ingles. Por exemplo, a palavra "maintenance". Se nos fossemos dizer isso em Portugues mode, seria "main-te-nan-ce", mas em Ingles isso vira "mantns". Isso mesmo! Duas silabas cortadas, dilaceradas, extintas! Outro exemplo eh "fountain" que vira "fontn". Ou "gluten" que vira "glutn". Serio. Como que eu falo "tn"? Djisus Craist!
As vezes acho que eh uma experiencia maravilhosa vivenciar as diferencas das linguas e comecar a prestar atencao nesses detalhes que vem tao natural quando falamos. Agora, pqp, "maintenance" vira "mantns"? Nao dava para manter, pelo menos, mais uma vogal?

22 de Julho de 2008

Transicao

Porque ando escrevendo muito em ingles ando escrevendo quase nada em portugues. I am really sorry about that. Sinto falta dos nossos acentos e ninguem sabe pronunciar o meu nome. Estou sendo chamada de Rrruaquelll.

17 de Junho de 2008

Amar = compreender

Porque ele acordou as 5h e eu as 8h deixei ele dormir as 21h. Contentei-me com um cha de hortela, o seu rosto sereno no travesseiro novo e o som das roupas se debatendo dentro da secadora.

6 de Junho de 2008

Ha sempre coisas que a gente nao pode entender

Eu nao sei se foi o tempo feio la fora, mais um choque cultural ou uma tpm tenebrosa, mas me abracei anteontem no Bryson e ele chorou porque eu chorei, ouvindo Engenheiros.

Hey mãe
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo
Que eu queria ter

Mas, hey mãe
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Hey mãe
Tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais,
Não querem nem saber
Mas agora, lá fora,
Todo mundo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas de qualquer lugar

Nessa terra de gigantes
(eu sei, já ouvimos tudo isso antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

As revistas
As revoltas
As conquistas da juventude
São heranças
São motivos
Para as mudanças de atitude
Os discos
As danças
Os riscos da juventude
A cara limpa
A roupa suja
Esperando que o tempo mude

Nessa terra de gigantes
(tudo isso já foi dito antes)
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes

Hey mãe
Já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi
Só o que eu podia fazer
Mas, hey mãe
Por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente
Não pode entender

Por isso mãe
Só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto
Antes de anoitecer
Pois agora lá fora

O mundo todo é uma ilha
A milhas e milhas e milhas...

Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda
Numa propaganda de refrigerantes.

10 de Maio de 2008

Continuação: sobre uma noite para guardar

A idéia era a de reunir as três amigas em um happy hour. O de sempre seria fazer uma janta no meu apartamento, mas o bruto fato de não haver mesa, nem cadeiras, nem panelas, nem nada lá, impediu o hábito. Acabamos por decidir pelo Barranquinho, um restaurante simpático com uma lareira e boa carta de vinhos. Optamos por um cabernet e uma pizza de três sabores, cada uma decidiu um, todas facilmente concordaram e não deixaram de esquecer que se a Nessa estivesse lá, comeriam fritas, pela impossibilidade de cálculos em uma análise combinatória, onde o conjunto da nossa amada amiga inexiste em um cardápio de pizza comum.
O vinho veio bem e a conversa ficou mais animada naquela noite gelada de terça. O assunto agora era os homens das nossas vidas. O assunto era futuro. Trabalho. Carreira. Estresse. Fim da faculdade. Nossa amizade. E aí que todas lembraram da minha iminente partida, que meu tempo de vida (inclusive noturna) em Porto Alegre provavelmente se encerraria naquela mesa.
- Gurias, vamos sair? - sugeriu a Fran.
- Tá. Vamos, devemos! - disse.
- Vou avisar o Rafa - de pronto falou a Thais.
Ir para a noite em plena terça era algo tão inesperado, que precisamos de uma parada em frente ao espelho no apartamento da Fran para tirar o cansaço de quem recém começou a semana, com uma boa maquiagem. Nos sentimos adolescentes dividindo um rímel.
Som a todo volume no carro, saímos do apartamento completamente sem rumo. Onde encontrar as festas da capital gaúcha em uma noite terrivelmente fria e no início da semana? A resposta para isso, entre "Burguesinha", do Seu Jorge, e "Glamorous", da Fergie, surgiu quase duas horas depois e no passar de vários quilômetros pela cidade com nome feliz.
Antes disso, contudo, a falta de opções nos forçava até a uma balada mais que alternativa, um reduto de sacanagem, eu diria, cujo nome era o mesmo da minha casta e imaculada mãe (do jeito que todas as mães do mundo nascem e permanecem). Sem encontrar o endereço do Wanda, que seria bem próprio para uma despedida de solteira, paramos em um posto na Farrapos para pedir informação... na farmácia.
As gurias, com a desculpa de que eu não moraria mais em Porto Alegre e que, portanto, não importava mais em nada a minha decência e reputação, me fizeram descer do carro e perguntar pelo vulgar lugar.
O atendente, educado, disse que não sabia o endereço e na mesma hora me levou para um grupo com outros cinco homens que conversavam no posto para saber se algum deles conhecia a tal casa noturna que, entre outras coisas, também tinha um clube das mulheres. Imaginem a minha cara explicando isso, quando inevitavelmente um rapaz questionou que tipo de festa buscávamos.
O constrangimento foi totalmente em vão e, quando entrei no carro, os seis ficaram com uma cara de dúvida, provavelmente tentando entender porque aquelas meninas bonitinhas precisavam ir a um local desses. Desistimos, enfim. A cerveja rolava solta, bem pouco para a motorista.
Fomos, como última opção, já meio frustradas com a fraca noite de Porto Alegre, em um lugar de samba-rock chamado Nega Frida, na Cidade Baixa. Deveria haver umas 30 pessoas lá dentro, era um espaço pequeno, e que mesmo assim estava vazio. Whisky, energético e cerveja acabaram se misturando à alegria e à animação de amigas que se querem bem e conseguimos fazer uma festa particular.
Dançamos muito, tentamos cantar. A Thais errou quase todas as músicas do Lulu Santos e a gente se matou rindo disso. A Franci foi pedir um samba que o cantor não sabia a letra, mas ele se esforçou. Elas quiseram cumprimentá-lo no fim do show, embora fosse um cantor medíocre, mas quem sabe talvez, levemente alcoolizadas, queriam mesmo agradecer por uma noite incrível e totalmente imprevista. Mal sabiam que foram elas duas que a fizeram.
Acordei no outro dia com uma leve dor de cabeça, mas feliz. Me despedi da cidade onde morei nos últimos seis anos, grata pelas amigas que conquistei, por tudo o que se passou e por onde a vida me leva agora. Na janela do ônibus Embaixador para Pelotas, deixei uma lágrima escapar ao relembrar.

3 de Maio de 2008

Tempo de madame ou pintores queridos e ironia

Nos últimos dois dias que passei em Porto Alegre, tive de perambular pela Cidade Baixa enquanto os pintores faziam o seu serviço. Depois que o caminhão de mudanças saiu na terça, levando 20 caixas, meus sofás e minha cama para Pelotas, imediatamente a pintura do apartamento foi iniciada. Tinha deixado uma cadeira de praia para ter ao menos onde sentar, mas o cheiro de tinta, aliado ao pó das paredes lixadas e, é claro, à minha insuportável rinite me fizeram sair da minha casa. Ex-casa, quero dizer.
Saí de lá, ainda na terça de manhã totalmente sem rumo, tentando traçar um plano de sete horas na inutilidade. O que fazer em sete horas na Cidade Baixa? Se fosse uma situação diferente, poderia tentar caminhar pelo centro, dar uma volta por Porto Alegre, porém no vai e volta entre Pelotas e Porto das últimas semanas, todos os meus tênis ficaram nas minhas malas, em Pelotas. Só me restavam saltos altos e bicos finos e meu pé esquerdo já tinha dois band-aids e bolhas no calcanhar.
Parcialmente ignorei isso, como todas mocinhas vaidosas que andam em sua classe estóica sobre saltos, e caminhei três quadras em direção ao Cavanhas - estava um pouco cedo para almoçar, mas vai que eles servem xis de café da manhã, pensei. Tive de parar na porta com o sinal de fechado e com o seu Cavanhas dizendo "só ao meio-dia, moça". Por sorte, do outro lado da rua, avistei uma lan house e dei graças a Deus à era digital, onde as pessoas não vivem mais sem acessar seus e-mails. Eu que leio os meus de hora em hora, estava em jejum cibernético desde o domingo, quando vendi o monitor do meu pc.
Gastei quarenta minutos ali, li as notícias, fiquei apavorada com o austríaco tarado e os travecos do Ronaldo, atualizei minha correspondência eletrônica e fui almoçar. Pedi um maravilhoso Xis Gordo do Cavanhas, pois já que a idéia era de almoçar algo nada saudável, que fosse totalmente prejudicial à saúde. Estava ótimo com suco de laranja e toneladas da inigualável maionese de lá.
Uma da tarde. Faltavam cinco horas para eu retornar ao apê. Decidi ir ao salão de beleza para pintar as unhas de um vermelho mais escuro. Tipo, cor vinho tinto. Foi um momento totalmente madamouselle daí. Raquel, com seu bico fino, indo ao salão no início de uma tarde de terça.
Quando percebi que apenas trinta minutos tinham se passado e que não tinha nenhum plano para seguir, resolvi cortar o cabelo. Estava precisando mesmo e, ah, coisa boa sair com uma escova bem feita, o cabelo brilhando no sol. Meu Deus, como é fácil gastar dinheiro em futilidades.
Duas e pouco da tarde, não tinha mais nada para fazer no salão. Resolvi ir ao Consulado do Café e tomar um Neve Negra, que é uma delícia feita de café expresso duplo e leite condensado. Estava disposta a comer o brownie também - na minha opinião, o de lá é um dos melhores que já comi na vida - e já pensava para as calorias se danarem, pois não sabia se voltaria um dia a Porto Alegre, mas eles não tinham o bolo.
Felizmente, lembrei que tinha uma coisinha para resolver no banco, passei no BB e olhei meu extrato, minha poupança e que pena que não havia mais funções no caixa, refleti. Pode-se perder muito tempo em um banco, contudo, nem fila exisitia naquele dia! É sempre assim, né? Murphy.
Daí, a melhor idéia da tarde foi ir ao cinema, no Guion mesmo e suas obras alternativas, e assistir a algo, aleatoriamente, que se encaixasse com meu horário solto. Vi A Família Savage, um drama americano, nada de espetacular, embora considerei que tenha valido meus R$ 10.
Eram cinco e quinze quando o filme acabou, fiquei olhando os cartazes no cinema e mentalmente colocando defeitos nas sinopses. Restavam mais uns minutos para o horário marcado, mas quando cheguei ao apartamento, os pintores já haviam terminado. Uma ruga de decepção deve ter saltado na minha cara quando seu Antônio, um dos pintores, olhou para mim e disse em tom de reclamação:
- Ih, dona Raquel. Já faz mais de uma hora que terminamos. Estávamos aqui, só esperando a senhora. É bem difícil ficar fazendo hora.
Com a cara amarrada acertei o serviço, sentei na minha cadeira de praia e, olhando para as paredes e a sala vazia, esperei por mais infindáveis cinqüenta minutos o resgate de uma amiga, com a qual jantaria e, junto a uma terceira, teria uma noite improvável. (continua)